sábado, 18 de março de 2017

titicut francofollies

leu os rabiscos antigos e ficou assustada com como escrevia e pensava em inglês tão bem. seria seu passado todo uma grande mentira?

sexta-feira, 5 de julho de 2013

bem te vi

sonhei com você, com a casa, os pinheiros, o jardim florido e os anões de jardim na pequena escada que dava para os canteiros da horta, aqueles um que você, quando pequeno, ia colher morangos com a bisavó norma. te vi menino pequeno viajando de avião pela primeira vez, e também aquela cena, você indo ao circo com as duas namoradinhas. depois aquela escola. mais parecia um pesadelo, mas não, era você ali, eu te vi.

sábado, 6 de abril de 2013

vergonha dos pés

jamais lhe passou pela cabeça que aquela sessão em 3d seguida de uma degustação de cervejas com gosto de tempero trariam consequências mais severas que uma forte dor de cabeça. a aspirina ajudou, mas deixou latejando ali anos-luz de um passado do qual ela não sabia lidar. um que respeitou a cronologia convencional mas nem por isso menos absurda. naquele dia, se livrou dos tabus e dos sapatos e entrou descalça no museu para ver o ai wei wei. 

domingo, 17 de março de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

temperança

eu desconhecia, inimaginava e, até ouso dizer, subestimava a capacidade que os industrializados têm de se fixar em nossos pertences. com suas performances, tonalidades e odores, usurpam aquilo que originalmente era uma almofada de espuma e tecido, um livro de sebo, um quarto limpo, um tufo de cabelo. 

jamais passou pela minha oca cabecinha que não sou eu quem reavivo a lembrança já esquecida, muito menos que não é minha mania  dar continuidade, em pensamentos, àquele trecho de vida que parou na metade. nem é estratagema de deus. fiquei mais tranquila ao saber que a culpa é do extrato energizante de gengibre e das 4.700 substâncias radioativas.

o aroma daquele xampu de guaraná com erva cidreira não ficou no ar por acaso. nem as baforadas da fumaça do cigarro se impregnaram nas páginas de intrometidas. estas, em especial, deixaram de ponta cabeça a minha persistência acadêmica. com esse cheiro é impossível dar continuidade à monografia. e eu mudei de tema.

mas não mudei o lado da almofada. virar do avesso seria interromper esse fluxo bonito do destino e dos amores instantâneos-fortuitos. quando se referem a minha pessoa, é batata: ansiosa, tendenciosa, supersticiosa. tríade adjetiva-dora. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

a turma do frevo

agora entendi o que minha tia quis dizer ao interromper meu raciocínio e afirmar que, assim como as instituições de ensino não são lembradas ao definir seu caráter profissional, não faria sentido que aquele episódio tivesse no futuro alguma relevância. e não terá, pois tudo voltou a ser como antes, afinal. e se depois eu associar o conjunto de fatos como embaraçosos, sequer saberei dizer o que me aconteceu em exato nesse agosto de 2012, um mês de cachorro que ladra louco com focinho prestes a conquistar roma, lisboa ou outra capital.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

per aspera ad astra

não, eu não posso saber em que fim você cai, caiu ou eventualmente possa cair. até porque você se tornou um buraco que se abocanha, enchendo de si mesmo, regurgitando a si mesmo. e o que regurgita? poesia, lírios, dialética que-se-faz-de-clichê-mas-não-é de entendimento além da razão, dialética de sinestesia literária. française. pra libertar.

não, nós não conversamos sobre muitas coisas. é como se, feito crianças, ficássemos passando a batata quente. você, eu, você, eu, nós, eu, você, você, eu... o espaço em branco. o buraco poético.

eu queria te escrever coisas épicas, borrascas de um boêmio. contar causos de néon. será que um dia vou andar pelas ruas de londres, derramar conhaque em papéis, escrever sobre a escolástica, abstinência e amor? does the time deface us?

a cara da sara

com envelope do verso ao vice carimbado, recomendado e em nenhum momento reivindicado, o endereço já não era mais o mesmo mas trazia a única explicação para aquele diálogo descontinuado. com remetente anônimo e falso destinatário, o conteúdo, poderia jurar não ter vindo daquele lado talvez pela facilidade em se misturar às faturas e renovações de assinaturas mas não, era um pedaço de alma. aquilo era uma carta. devidamente aberta, a folha tinha vida própria, boca torta, neurolinguística, sentimento, cérebro, gestos e memória. eidética. e dizia:

olá, benzinho

como estão suas férias? foi à praia? fez caminhadas? escalou montanhas? quanto às minhas, não duraram sequer uma semana. onde estão todos aqueles postais? foram hospitalizados com pneumonia crônica? a lituânia nunca me agradou. mas já não quero mais beber cervejas sozinho, chegar em casa depois de árduo trabalho, sozinho, comer o que sobrou da ceia e fazer uma breve projeção daquilo que já não existe. não tem mais você com cabelos e corpo molhado, sem se despir porém, e dizendo acabei de sair do banho e o frio que fazia benzinho, bem... já não quero que tenhas assuntos parisienses, não sem antes ver a cara de sara. ok, acho que passou da hora de ser bonzinho e dizer, vai, corazón allures, achar teu balzac e me viver sem também.