domingo, 17 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
temperança
eu desconhecia, inimaginava e, até ouso dizer, subestimava a capacidade que os industrializados têm de se fixar em nossos pertences. com suas performances, tonalidades e odores, usurpam aquilo que originalmente era uma almofada de espuma e tecido, um livro de sebo, um quarto limpo, um tufo de cabelo.
jamais passou pela minha oca cabecinha que não sou eu quem reavivo a lembrança já esquecida, muito menos que não é minha mania dar continuidade, em pensamentos, àquele trecho de vida que parou na metade. nem é estratagema de deus. fiquei mais tranquila ao saber que a culpa é do extrato energizante de gengibre e das 4.700 substâncias radioativas.
o aroma daquele xampu de guaraná com erva cidreira não ficou no ar por acaso. nem as baforadas da fumaça do cigarro se impregnaram nas páginas de intrometidas. estas, em especial, deixaram de ponta cabeça a minha persistência acadêmica. com esse cheiro é impossível dar continuidade à monografia. e eu mudei de tema.
mas não mudei o lado da almofada. virar do avesso seria interromper esse fluxo bonito do destino e dos amores instantâneos-fortuitos. quando se referem a minha pessoa, é batata: ansiosa, tendenciosa, supersticiosa. tríade adjetiva-dora.
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