domingo, 29 de julho de 2012

verbos noturnos

e essas mãos ossudas, qual a necessidade de se estranhar com as suas se a maior facilidade de entranhamento existe entre os próprios dedos? e a vontade absurda de estabelecer um contato tátil que não de voz mas de vento de falar um aceno e gesticular como vai, que tormento você vai cantar este não sou seus lábios nos meus lábios não são meus e eu vou ler mais uma página, até porque não saberia dar continuidade à cantoria não queira que eu adivinhe o que se passa mas eu não sinto mais suas palavras. 

uma cama me engoliu 
com lábios de colchão e cobertor
a noite mastigou minhas validades,

destruiu meus planos 

com dentes de despertador

sábado, 21 de julho de 2012

gravado em fita

uma mordidinha cretina na ponta do nariz e promessas de poema eterno. é tão bonito que é quase amor. mas a sobrancelha direita se eleva, acusando que de tudo sei. a sobrancelha acusa quem mente. você sabe sobre o veneno? eu digo sei. por isso estou aqui.

retratou-se em bilhete-espelho a visão privilegiada de gatos-de-caça, coelhos-da-mata - essas espécies selvagens e senvergonhas que agora invento - que é o ângulo visto de baixo-cima da saia do vestido. plano europeu ou americano, julgam tais fios de cabelo, quase não importa. o ruído que se ouviu - tal estrondo-arrebento foi mental - ...o ruído que se ouviu foi ruído de porta. e cabe-nos dizer, coração, a função da aorta em estourar aortérias, essa matéria que pouco sei já não me interessa, vi uma vez.

o bilhete que vi mais se tratava de uma sonata, é condizente para um bilhete sem remetente, entregue pessoalmente, entregue não, deixado no criado mudo, bronco mal criado. o bilhete que me vi lendo às nove de uma manhã sem indecifráveis hematomas e de ressaca moral nenhum sintoma. o bilhete que li era composto por um miegale, palavra lituana que recentemente aprendi - ainda rescende o cheiro: sopa gelada de beterraba. era composto por um miegale acentuado, acentuado não, era flechado, por assim dizer. aquele acento que não possuímos, estava por ali em um a ou um e eu mal vi tinha sono, não tinha? é costumeiro ter sono em tais ocasiões. e acordar-se espreguiçado, ah, ah. por isso miegale. se fosse real, seria sonho, deixo claro. é prosa ficcional

quinta-feira, 12 de julho de 2012

o lugar da janela na civilização carioca