domingo, 24 de abril de 2011

é como se agora descobrissem uma parte sua. a mais real de um todo que não existe. se o sentido da religião é promover a ligação entre criador e criação, estabelecemos há exatos sete anos um culto em sua mais fiel simbologia, castiçal, turíbulo, cores, ritos e sons. se satisfaço sua maior vontade, é por exercer em você, feito meu, o poder da censura.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sorriso fingido de mona lisa apodrecida

eu não vou ficar enclausurada enquanto você na ponta dos pés do último degrau da escada tenta pegar um pouco das pílulas vermelhas da libertas guardadas dentro do pote meticulosamente criptografágico de vidro papel kraft e aço. tentando me tirar de vista através de uma alusão à alucinações farmaconíricas. mas o seu sorriso embaçado de mona lisa é conciso e já estou parca obstinada pode me chamar de bisca em seu idioma de linguiça com mostarda miststück

domingo, 10 de abril de 2011

isla de san simón, 2010

ele é um pouco daquilo que se vê em dias ensolarados e festivais de música, próximo a banheiros químicos cor-de-rosa ou azul-genciana contrastado ao verde da grama em que se deita. ele é daqueles que ao se aproximar, mesmo que sozinho, passa certa insegurança, não por si mesmo, mas por mim, que logo questiono - será que alguém o acompanha? tem um cabelo com passado negro mas agora é loiro ao extremo, não muito cadeirudo mas de visível remelexo. de convulsão quase musical. deve ser artista de róque, semi desconhecido, com direito a palco principal, coro e assovio

sexta-feira, 8 de abril de 2011

para consumação interna

fico me perguntando se você nessas horas duplas se pega pensando em mim mesmo que não se tratando de uma completa existência. só a manifesta insistência do corpo indigesta autossuficiência do outro. e a minha alma a sua fomenta.

o que eu encontrei: uma carta suicida de amor

hoje não o quero, puto dos infernos. poderia eu declarar algo deveras sincero? estou um pouco consciente, um pouco bêbada, mas vamos, suma, desapareça. prezo por um pouco de intelectualismo, prezo pela paz de espírito, pelo positivismo pelo ufanismo estoicisimo prezo pelo fim da fronteira aduaneira e no fundo eu não prezo por nada disso eu só peço vá, vá-te embora, adormeça. a ambição pode levar o homem à lua, aos planetas, e às mais distantes estrelas, mas a memória daquele extraordinário continente ainda permanece.

é tão querido o seu escrever, é um ninho macio, pombas!, é um casto querer mas meu frágil poder é o de te morrer, docinho, torrão de açúcar mascavo. está tão inocente estridente, bardo alegando sentir, por amor, tamanho cansaço. julgo suas palavras, ou não palavras, mas os buracos que as separam pombo pequenas valas e tento fazer das minhas palavras nunca separadas. se arrependerá tanto, querido, daquele momento em que me deixou esperando. foi tão pouco mas será tão tanto. momento aquele em que fiquei ao lado do banco, não quis me sentar, pensei que não seria para tanto, pensei que não sereria.

dez dias é muito dia coração é muita agonia ai ai
ontem foi lua cheia e da vidraça eu via o seu
reflexo e sei que aí do outro lado da vida você
me sorria da mais pura zombaria eu te chamei
três vezes e a teoria de alfred kroeber caiu por terra
e você me derrubou na non-guerra eu estou perdida
não tenho nada. 10 dias é muita coisa. apaga-se tudo
e faz-se outra vez de tudo um nada olho no relógio 11h12
"tá acabando, não?" - ai ai ai, me diz que eu não valho
nada. só preciso que me diga um algo. que me faça ser dita.

domingo, 3 de abril de 2011

rain queen

a coroa de flores de jasmim que você comprou no restaurante japonês mais parece um cinto de pipoca doce ou uma alça composta por pedaços de nuvens postas a quilômetros de distância de mim me privando de uma chuva boa