quarta-feira, 15 de agosto de 2012

a turma do frevo

agora entendi o que minha tia quis dizer ao interromper meu raciocínio e afirmar que, assim como as instituições de ensino não são lembradas ao definir seu caráter profissional, não faria sentido que aquele episódio tivesse no futuro alguma relevância. e não terá, pois tudo voltou a ser como antes, afinal. e se depois eu associar o conjunto de fatos como embaraçosos, sequer saberei dizer o que me aconteceu em exato nesse agosto de 2012, um mês de cachorro que ladra louco com focinho prestes a conquistar roma, lisboa ou outra capital.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

per aspera ad astra

não, eu não posso saber em que fim você cai, caiu ou eventualmente possa cair. até porque você se tornou um buraco que se abocanha, enchendo de si mesmo, regurgitando a si mesmo. e o que regurgita? poesia, lírios, dialética que-se-faz-de-clichê-mas-não-é de entendimento além da razão, dialética de sinestesia literária. française. pra libertar.

não, nós não conversamos sobre muitas coisas. é como se, feito crianças, ficássemos passando a batata quente. você, eu, você, eu, nós, eu, você, você, eu... o espaço em branco. o buraco poético.

eu queria te escrever coisas épicas, borrascas de um boêmio. contar causos de néon. será que um dia vou andar pelas ruas de londres, derramar conhaque em papéis, escrever sobre a escolástica, abstinência e amor? does the time deface us?

a cara da sara

com envelope do verso ao vice carimbado, recomendado e em nenhum momento reivindicado, o endereço já não era mais o mesmo mas trazia a única explicação para aquele diálogo descontinuado. com remetente anônimo e falso destinatário, o conteúdo, poderia jurar não ter vindo daquele lado talvez pela facilidade em se misturar às faturas e renovações de assinaturas mas não, era um pedaço de alma. aquilo era uma carta. devidamente aberta, a folha tinha vida própria, boca torta, neurolinguística, sentimento, cérebro, gestos e memória. eidética. e dizia:

olá, benzinho

como estão suas férias? foi à praia? fez caminhadas? escalou montanhas? quanto às minhas, não duraram sequer uma semana. onde estão todos aqueles postais? foram hospitalizados com pneumonia crônica? a lituânia nunca me agradou. mas já não quero mais beber cervejas sozinho, chegar em casa depois de árduo trabalho, sozinho, comer o que sobrou da ceia e fazer uma breve projeção daquilo que já não existe. não tem mais você com cabelos e corpo molhado, sem se despir porém, e dizendo acabei de sair do banho e o frio que fazia benzinho, bem... já não quero que tenhas assuntos parisienses, não sem antes ver a cara de sara. ok, acho que passou da hora de ser bonzinho e dizer, vai, corazón allures, achar teu balzac e me viver sem também.