terça-feira, 8 de dezembro de 2009

mudei meu tema de monografia. não vou mais falar sobre imprensa maníaca nanica nas apurações da modernidade midiática. agora vai ser o conceito do xamã nefelibata como precursor na sociedade midiatizada

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ele me olhava colérico daquela estante e por um instante pensei que jogaria sobre mim livros porta-lápis e até aquele par de sapatos, tudo isso porque eu sobre essa mesma cama me contorcia, não era dor tanta, eu apenas ria como menina de oito anos - não vai sair impune, não vai sair com vida, daqui não sai respirando deus é meu o quarto não sairei tão cedo.
meu apertamento estreito agulhas entrando daquelas que te falei, de amianto. das imagens que me acometeram e dos vultos que avistei aquelas árvores queimando e círculos e eu pensei devo ser mesmo o diabo mauro imbecil e estúpida! e não tirava da minha garganta aquele par de mãos ossudas e imundas as mesmas que bulinam os seios da prima e que há pouco apalpavam minha bunda. tudo porque viu o que não queria.

domingo, 25 de outubro de 2009

&

medrosamente se cansou. voltou a dormir à procura das roupas tiradas pelo avesso. e não ia a sua cabeça nenhum perfume, sensitiva - nesse papel - passou a procurar por cheiro de pele, tipicamente encontrado em peças do avesso.

domingo, 18 de outubro de 2009

surgiu-me então um novo paredro - repentinamente. gosto de sangue, dedilhar porosamente cintilante e ali vi se tratar de
seria um conluio contra mim, terrible enfante?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

optei pelo hospício

quis levá-lo de volta comigo para casa
despi-lo e lambê-lo como fazia antiga
mente mas havia aquele monte de papéis
assinados e cheios de x nos quadrados onde
estava escrito solteiro, masculino, branco,
coisas assim

(poematizei o caio, talvez seja essa
a problemática do quadrado)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

disse-me possuir uma constelação, no braço esquerdo. não o desmereço. em contrapartida, me aborreço. minha constelação é no direito. talvez, frente a frente, se liguem os pontos.
além do que, gosto de envaidecê-lo com elogios passarescos, ora beijos-cortejos, ora lampejos - o apedrejo! posso lhe dizer o que bem entendo. posso ter no joelho uma ferida. posso esconder uma cicatriz que vai do queixo ao seio, posso dissimular o aconchego e a mordida - o que vê? posso ser coxa, despenteada, esmilinguida. em meio a tanto desafeto, reagiria você com uma lambida? na bochecha irrelata da amiga desconhecida.

domingo, 4 de outubro de 2009

eu que desaniversario
no dia do perdão
e comemoro a mim
e à mea culpa
dia seguinte

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

minergie

- i am sure you are smaller than me. do you have enough dresses?
- i love dresses, i would love to wrap myself in anything of yours


MARIE ALEXE
ALEE TURNU PITESTE NR. 4/ BL. M12/ AP 7
0210185 Bucharest - RO

o vestido, com seus trejeitos gastos, de pouco gasto, me coube perfeitamente. sinto como se houvesse, um corpo aqui, e um outro idem, mais ao leste.
talvez para lá eu parta. esqueça a martinica você Benguela e talvez para lá eu parta.

sábado, 5 de setembro de 2009

poema-pílula

anticoncepcional dado
ao que é inconcebível
desperdício total
ruído de amor ao que não é roído
lhe será preciso muito mais que mil neo-realismos
elisão, depressivo.

pensamos em grandes artistas

sábado, 29 de agosto de 2009

a kingdom for a bite upon your shoulder, it's never over

terça-feira, 25 de agosto de 2009

- mesmo assim
- mesmo assim é resposta de quem perdeu a discussão
(...)
- OK
- ok em capital letters é desespero de quem não quer mais encarar o fato de ter perdido a discussão
(...)
- argh
- argh é o horror de quem se desesperou por ter encarado o fato de ter perdido a discussão
(...)
- isso vai para o blog
- isso vai para o blog é a alternativa ao horror de quem se desesperou por ter encarado o fato de ter perdido a discussão

sábado, 25 de julho de 2009

"i want to burn, even if i break myself. i live only for ecstasy. nothing else effects me. small doses, moderate loves - all these leave me cold. i like extravagance, heat... sexuality which bursts the thermometer! i am neurotic, perverted, destructive, fiery, dangerous-lava, inflammable, unrestrained. i feel like a jungle animal who is escaping captivity." - anaïs nin

quinta-feira, 23 de julho de 2009

sumo sumário

capítulos I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII - apontamento
o resto já não é livro.

sábado, 18 de julho de 2009

lembrou-me um melro, triste melro. e militante, m'enchante.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

prólogo

não me contenho. o conteúdo se esvai, não pausadamente como em ponto de fala, vírgula de alma, se esvai descontroladamente e eu não me contenho. franzido o cenho, passo a escrever, punho ferido substituindo a alma ao dizer-lhe.
que não me contento em guardar, me violo, me dispo, me abro. talvez um outro jargão, o da metáfora do livro sem segredos, é o que sou, o que me tornei em torno desse nosso frasco que entorno cada gota de você cada pingo que vai pingar [mar de cachaça] vai chover outra vez nós dois, algo assim.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

merde alors

dê um fim a esse lixo francês, diaba.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

esquisse d'une théorie des émotions

é que, de fato, a compreensão não é uma qualidade vinda de fora à realidade humana, é sua maneira própria de existir. assim, a realidade humana que é eu assume seu próprio ser ao compreendê-lo. essa compreensão é a minha.
se trata de uma auto-análise, e não condiz com introspecção. esta é digna de passividade. questionamento-hipótese.
qu'est-ce que em todo caso, a hermenêutica da existência vai poder fundar uma antropologia e essa antropologia servirá de base a toda psicologia.
sabendo-se que a fenomenologia é o estudo dos fenômenos - não dos fatos. sendo-que fenômeno é o que denuncia a si mesmo. dois: aquilo cuja realidade é precisamente aparência.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

saudade sara
sara saudade

que saudade mais parece doença, disse sara

terça-feira, 23 de junho de 2009

passados onze dias, estava que só taquic-ardia, duzentas e sessenta e quatro horas da mais genuína agonia.

domingo, 14 de junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

fevereiro II

to listen now, just now, like i am listening and feeling these skies and these words and these gray-scales. touching the grass with our hands, not the flaming trees but the calm. the calm you and the calm i.
i feel real lame when i have to take, touch your small, peaky hands and draw the open sky, field and le soleil, nu au soleil, flottant.
a embrassing-compulsive nible. you felt it.

fevereiro

te desafio com desídia a me desfiar os cabelos desvendar-me os olhos desdenhar-me uns desafetos desabotoar-me a blusa para desbotar-te os olhos desmanchar-me em desenho desloucar-me em desejo deixar-me deslumbrada e no diferido desfecho não permitir que eu me desprenda de ti. fin.

terça-feira, 9 de junho de 2009

olá, olá, olá, é tudo o que saberão falar

agora nomeia minha recusa, ao ser uma idéia recusável:

quinta-feira, 4 de junho de 2009

no queixo

a pulsação se intensifica
a respiração mais precisa
e os dentes se afiam
para dentar-te um beijo

domingo, 31 de maio de 2009

ao tentar definir a ti e a mim, não nos identifico como pessoas, tampouco corpos-almados. somos experiências libertadoras. me sinto viva para te vivificar em outros outros, uns outros corpos. você, passarinho liberto se inaugurando nesta vivificação. e eu te sinto. preso a mim, batendo asas.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

num mato repartido

você me sendo
me é possuído
e eu te querendo
num ato impulsivo
nos mato

terça-feira, 21 de abril de 2009

16 uma gaiola saiu a procura de um pássaro ein Käfig ging einen Vogel suchen - ela disse, num alemão pedante com sotaque afrancesado
- disse ela, num alemão pedante que caso houvessem erres teriam sotaque afrancesado.
mas alemão não tem vogal
"uma gaiola saiu à procura de um pássaro".
- precisamos conversar algo muito sério
- diga, digo, eu disse um "diga" com seriedade tamanha.
sinto como se meu estômago fosse um pandeiro insistente que se sente poesia e ode at the same time e digo-te mais, ele jura que faz samba às seis da manhã
por que está ausente no exato e presente instante em que eu te queria colado frente a mim a respiração hesitante e eu verborragicamente locomotivamente a me explicar e te arranhar ao mesmo instante em que penso em chorar, chorar por medo.
medo de vivenciar o que vivencio nesse in... - suas rimas pedantes - a dor constante de ser insegurança pura. no fundo eu
não sei porque tecer tantas críticas a seu respeito. mania niilista de autarquia.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

chego a suspeitar em mim confessos anseios, humildes meias-verdades. a respiração entre-cortada, entre-coisas que, apesar do incômodo esforço, já não fazem mais sentido algum.