segunda-feira, 30 de agosto de 2010

o estado em que eu me encontrava
[o começo se deu com uma palavra]

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

langage tangage

após algumas páginas do labirinto, tirei um cochilo e sonhei com o eliade que entrava em minha casa e me chamava para passear para ajudá-lo com as malas no meu sonho era muito velho, tinha dificuldades com o francês e com as escadas, derrubei a sua bagagem mais pesada e vi caindo pelos degraus livros do bataille e do leiris. foi muito característico, como um sonho poderia ser, entenda. nada fez sentido. nada haveria de fazer.
mircea eliade muito querido, como um avô não tido, me colocou no colo, lambeu meus olhos, perguntei o que é ser romeno pra você? e o teilhard de chardin, quando vem me ver?
no próximo sonho, talvez

terça-feira, 24 de agosto de 2010

em 2007

anas e lucias e saras todas bossas na praia ouvindo em tom de gemido cariño mi corazón comendo câncer de montão e agora o choro é uma vazão [antes era um vagalhão] eu escondia fazia um esforço sobre-humano deixei-te lá loira quieta era chegar à miudez a minha meta para otho olha, agora pia. agora reza.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

coração colado em coação

eu te cravei uma mordida, mas você não sentiu
e esse non-sentimento em mim surtiu
mais como um desafio, desafeto,
desdém ao meu cio. que sabes, meu querer é de morte

sábado, 21 de agosto de 2010

o súbito arrepio novamente me tomou, quando iniciei a leitura daquelas palavras que não eram suas, mas sim a inserção de aspas que definem a citação e não o plágio cretino - é o meu caso. o abuso me ocasionou o que em sua presença eu chamaria de espasmo, mas de imediato vem a ser uma indistinção de terror e entusiasmo. era o que, aquilo que eu lia, que me comia as laterais das unhas, os ponto g ponto c pontos pontuáveis, as feridas não sujas? eu nunca saberia, assim como nunca soube exatamente o que foi o jogo mal jogado, só vim descobrir tempos depois, encarando o fado dentro de um livro escancarado.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

mi

e eu vou te fazer me verbalizar, não através da pateticidade da rima mas a tortuosidade da mímica a morosidade da cisma você vai olhar e olhar querer com aquilo se identificar perceber que já se tornou teimosia. me utilizo da pessoalidade para ser contundente me comove saber que dessa língua você não entende e eu vou ser alma eu vou ser amor você vai ser a checoslováquia vai ser beija-flor eu vou ser a pigeon song e você a take away show

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

outra vez o mesmo vale

o bicho que
vai me comer
mora dentro de mim
mesma
e só espera
a hora de me ver
morrer

me consola saber
que o mesmo vale
pra você

terça-feira, 17 de agosto de 2010

etnografio

era um funeral boliviano
eu ia até a cozinha e voltava
te servia quitutes na sala, saltenha cigarros e bala
de rabo de olho visualizava meio-corpo:
te beijava, você morreu. agora estava morto.

e então eu era javanesa
meu sarongue se enroscava no seu
chegou o nono dia, adeus

sábado, 14 de agosto de 2010

Ligéia de Andrade foi vista muito louca, na Ladeira da Memória com uma bandeira vermelha, azul e branco debaixo do braço: certamente era uma bandeira do Amazonas, e vai daí que desconfiamos que ela esteja em contato com Machado Penumbra, o único homem que poderá dar notícias de Jairo Ferreira em sua atual curtição extraterrena.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

tomo chá de jasmim lata amarella produzido pelo povo chileno na república da china checa rua galvão bueno
com a sensação de mentha pulegium: o meu bebê está morrendo.