sábado, 29 de outubro de 2011

labirinto

vou te contar uma história. que começa no instante em que me aproximo para dar início a não-ficção, instante aquele em que não me retrato, dezoito minutos antes, onde o observador passivo e atento que salvo a minúcia do "não te conheço", aborda o protagonista principal e inicia um diálogo novo sobreposto ao velho roteiro. antes eu protagonizava e decidi abrir espaços a você. antes eu negligenciava qualquer tipo de existência, e então você achou melhor dar uma festa no jardim da minha casa. nenhuma existência se limita a consecuções de respiros. todos pedem por respostas. e o meu questionário tem início aqui. o questionário da não-derrota.

domingo, 23 de outubro de 2011

accountant at Saudi BASF for Building Materials Co., Ltd.

seamless and individual em um ambiente de trabalho tão minimalista que nem formigas passam que nem pensamentos outros vagueiam e tudo lembra sosacharo sem lembrar porque nada lembra a nada de fato senão aquilo que nos rodeia umas cadeiras verde limão rosa e paredes cinza aspargo tudo em métrica de poema e formas modernas e as pessoas zombam daqueles que não estão presentes porque o ato foi planejado e por nada naquele lugar me pertencer tudo e nada te lembra e bom trabalho

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

da estante

ontem falava sobre você com uma amiga. falava sobre o episódio que foi o da sua vinda, e do clichê do acaso. as ligações de rede são como o universo, só que sistematicamente se concretizam através de números binários. e você me pune em cada mensagem, cada resposta. vomita com uma facilidade e expõe seu mundo pra mim como tediantes acontecimentos, filosóficas banalidades. e eu mastigo durante dias, com o maior orgulho, absorvendo ao máximo o que leio, em um idioma que nem conheço

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

eu nunca sonhei ser jornalista. tanto nunca que, sempre que posso encontro brechas para me afastar, olho de canto de olho, profiro um amargurado leave me alone e tento fingir que nada se passou. e que do sexto semestre da faculdade de jornalismo eu não quero passar.

ainda nos primeiros semestres de faculdade, quando engatinhava na comunicação social, eu era apaixonada crônica por tudo aquilo que o tronco comum me apresentava. o tronco, que consiste em três semestres, passou como uma micareta interdisciplinar que me rendeu um acervo de livros difíceis de classificar. é abominável julgar um livro pela cara, mas aceitável julgar o dono pelo livro que ele carrega. e se tratando dos meus, sou rizomática. os livros de psicanálise caem perfeitamente bem com os de literatura argentina e filosofia religiosa.

por que escolhi o jornalismo como profissão? além da interdisciplinariedade, o rizoma editorial, o meu interesse em querer saber sobre tudo – e consequentemente fazer com que todos sobre tudo saibam – tenho como ponto de partida [não necessariamente em ordem cronológica ou hierárquica] o prazer pela escrita. o capricho chega a seguir quase ordens estéticas. colocar em palavras a informação, torná-la atraente, e fazer do conteúdo mais complexo o mais acessível, sem com isso ter seu valor dissipado, é um dom. seria petulância dizer que beira à arte?

que adjetivo atribuir à uma profissão que permeia obrigação e lazer, massificação ornamentada? e a ambição do quinto poder pode ser afimada. o jornalismo deflagração diariamente se manifesta através de questionamentos e diálogo arbitrário, ferramenta social: ponte entre sociedade e a outra parte. e isso é uma responsabilidade e tanto.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

feldele

nas situações muito próximas em que meu ângulo de memória a minha recordação única são aqueles rastros brancos de cobra em meio ao ninho de mafago afaguinhos, os fios do cabelo indiferíveis em meio a tanto ninho e os supostos piolhos que me curvei para comer sob os cotovelos de aquiles meu ex-namorado você até que parecia muito bem visto por esses ângulos beijado por esses lábios e eu me comovi ao saber que morninho, você era o mago-mór no reino dos figueirinhos

domingo, 26 de junho de 2011

- vou assim que me livrar dos meus afazeres
- e eu assim que me livrar dos meus vou me submeter a uma massagem daquelas que as pessoas pisam nas costas
- eu chamo isso de favor de piscina. você pede, e alguém pisa em cima, para você não flutuar. ficar lá em baixo, barriga de encontro com o chão. e a pessoa pede para que dê um sinal, para sair do lugar, e a sua vontade é ficar lá
- no caso quero um pouco de inversão, quero flutuar para dentro e levar as vontades todas comigo e os pés pisando em cima
- e eu queria morrer afogada na piscina de casa. uma peripécia impossível. só não se eu for pisada.

honestidade ementirada

– não tem mais graça
– por quê?
– sabe porquê alá. talvez não me pegou como devia, pela bacia. ou me chamou por engano de sofia. talvez porque uma vez perguntei se já sentia minha falta e não respondeu, uma mentirinha me bastava, já me comprava.
– honestidade ou mentirinha?
– fico com a honestirinha.

(deve continuar.)

domingo, 12 de junho de 2011

sábado, 11 de junho de 2011

rosa

há sete anos atrás a cartomante já te via nas cartas do baralho. foi tempo suficiente para você tornar-se grisalho, e eu descrente da mística, abandonei a cigana, que naquela época te via moreno claro. eu precisava de algo mais exato, como uma bola de cristal, ou jaspe-verde, tipo o amuleto que ganhei em forma de elefante da minha tia. lá, na bola, te enxergaria músico potiguar, há sete anos atrás, me alertando que um três de paus não é tão bom quanto se imagina.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

uma valsa no fundo do quintal

e no meio da quizomba da noite a gente já se olhava muito oscar wild. de profundes. e agora eu não sei diferenciar mais o que é mito e o que é realidade, onde foi parar o meu eu-mircea eliade? pedi para a vanderleia tocar um disco, tocou nosso coração screamed at the make-believe, screamed at the sky and you finally found all your courage. foi o que eu sempre fiz, com aquarinos e taurianos, mas bem ali deus eu te quis muito diferente, defender quem sabe uma outra tese. eu fiquei esperando alguns dias pela sua chegada, ali parada, numa quase desistência, iminência morta.

domingo, 24 de abril de 2011

é como se agora descobrissem uma parte sua. a mais real de um todo que não existe. se o sentido da religião é promover a ligação entre criador e criação, estabelecemos há exatos sete anos um culto em sua mais fiel simbologia, castiçal, turíbulo, cores, ritos e sons. se satisfaço sua maior vontade, é por exercer em você, feito meu, o poder da censura.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sorriso fingido de mona lisa apodrecida

eu não vou ficar enclausurada enquanto você na ponta dos pés do último degrau da escada tenta pegar um pouco das pílulas vermelhas da libertas guardadas dentro do pote meticulosamente criptografágico de vidro papel kraft e aço. tentando me tirar de vista através de uma alusão à alucinações farmaconíricas. mas o seu sorriso embaçado de mona lisa é conciso e já estou parca obstinada pode me chamar de bisca em seu idioma de linguiça com mostarda miststück

domingo, 10 de abril de 2011

isla de san simón, 2010

ele é um pouco daquilo que se vê em dias ensolarados e festivais de música, próximo a banheiros químicos cor-de-rosa ou azul-genciana contrastado ao verde da grama em que se deita. ele é daqueles que ao se aproximar, mesmo que sozinho, passa certa insegurança, não por si mesmo, mas por mim, que logo questiono - será que alguém o acompanha? tem um cabelo com passado negro mas agora é loiro ao extremo, não muito cadeirudo mas de visível remelexo. de convulsão quase musical. deve ser artista de róque, semi desconhecido, com direito a palco principal, coro e assovio

sexta-feira, 8 de abril de 2011

para consumação interna

fico me perguntando se você nessas horas duplas se pega pensando em mim mesmo que não se tratando de uma completa existência. só a manifesta insistência do corpo indigesta autossuficiência do outro. e a minha alma a sua fomenta.

o que eu encontrei: uma carta suicida de amor

hoje não o quero, puto dos infernos. poderia eu declarar algo deveras sincero? estou um pouco consciente, um pouco bêbada, mas vamos, suma, desapareça. prezo por um pouco de intelectualismo, prezo pela paz de espírito, pelo positivismo pelo ufanismo estoicisimo prezo pelo fim da fronteira aduaneira e no fundo eu não prezo por nada disso eu só peço vá, vá-te embora, adormeça. a ambição pode levar o homem à lua, aos planetas, e às mais distantes estrelas, mas a memória daquele extraordinário continente ainda permanece.

é tão querido o seu escrever, é um ninho macio, pombas!, é um casto querer mas meu frágil poder é o de te morrer, docinho, torrão de açúcar mascavo. está tão inocente estridente, bardo alegando sentir, por amor, tamanho cansaço. julgo suas palavras, ou não palavras, mas os buracos que as separam pombo pequenas valas e tento fazer das minhas palavras nunca separadas. se arrependerá tanto, querido, daquele momento em que me deixou esperando. foi tão pouco mas será tão tanto. momento aquele em que fiquei ao lado do banco, não quis me sentar, pensei que não seria para tanto, pensei que não sereria.

dez dias é muito dia coração é muita agonia ai ai
ontem foi lua cheia e da vidraça eu via o seu
reflexo e sei que aí do outro lado da vida você
me sorria da mais pura zombaria eu te chamei
três vezes e a teoria de alfred kroeber caiu por terra
e você me derrubou na non-guerra eu estou perdida
não tenho nada. 10 dias é muita coisa. apaga-se tudo
e faz-se outra vez de tudo um nada olho no relógio 11h12
"tá acabando, não?" - ai ai ai, me diz que eu não valho
nada. só preciso que me diga um algo. que me faça ser dita.

domingo, 3 de abril de 2011

rain queen

a coroa de flores de jasmim que você comprou no restaurante japonês mais parece um cinto de pipoca doce ou uma alça composta por pedaços de nuvens postas a quilômetros de distância de mim me privando de uma chuva boa

quinta-feira, 31 de março de 2011

estouramiudus

toma cuidado. eu e o nassif somos juntos corleonicos, da mais nobre essência eudaimônica e admoestada. você vai morrer afogado com a descarga dos hormônios embasbacado e embebido na água podre dessa estatal privada. junto a eles todos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

reticulating splines

dia trinta penúltimo do mês de março: passou a não exibir mais amigos, lutar contra votos de minerva e defender mídias conscientes. eu sou tudo aquilo que vejo e transmito agora o revisto daquilo que sinto.

quinta-feira, 3 de março de 2011

é essa a minha feição preferida. o futuro que escolhi a você. a superstição é minha melhor amiga. sequer me lembro o que sonhei, a janela para um rio, setenta andares morro acima, e muito frio.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

foi-se então cortando meu coração

as palmas das mãos e as plantas dos pés tem correspondência com um órgão. eu sinto muito ter por um momento único cultivado esse pensamento de destruição quis morrer em meio a vontade absurda de renascer e refazer eventos quis ter e ser outra vez refeita eu preciso mesmo da destruição. bebi também duas latas de cerveja em homenagem ao poeta da transmutação. vá em paz

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

e-mail. meio virtual devastoso que expões indivíduos a situações degradantes de comunicação cortante onde a escrita é cortada ao meio, onde a comunicação não é completada, quando um não quer dois não parla. e o silêncio súbito de não ser co-respondido, de não ter nada mais para ser lido a não ser reler seu próprio redito

domingo, 6 de fevereiro de 2011

valentes

a tentação em ser piegas é a mesma que separa e resume em duas letras genéricas o ato de pecar. dar 'uma mão' seria o equivalente a lhe presentear com pacotes de pólvora, terremotos em erupção, uma explosão partilhada em trinta doses nada homeopáticas. que ir até a sua casa - parece um quase-nada - é em primeira ordem, à primeira batida de porta, a incitação criminosa. e atos subsequentes, de amor, tédio e ódio são marcados pelo latrocínio, assassínio e a fuga ardilosa. seria pura mente real senão fosse um engano completo que repetimos tão teimosamente em gestos

sábado, 29 de janeiro de 2011

ping

sem dar ao luxo de me apegar ao passado, olhei para o lado e deparei com livros dos mais variados não ouso abrir não poderia e os seus questionamentos daquele dia, envolvendo coisas que se referiam ao futuro, eu nunca poderia prever, nem eu nem ninguém, e suas angústias, acerca do que se passou durante estes dias, isso não deveria acontecer. não estou recaída, depressiva, como sempre e nunca em vida, me ofereci à acupuntura, recorri à meditação, ao tai chi, à yoga e à antroposofia.