agora entendi o que minha tia quis dizer ao interromper meu raciocínio e afirmar que, assim como as instituições de ensino não são lembradas ao definir seu caráter profissional, não faria sentido que aquele episódio tivesse no futuro alguma relevância. e não terá, pois tudo voltou a ser como antes, afinal. e se depois eu associar o conjunto de fatos como embaraçosos, sequer saberei dizer o que me aconteceu em exato nesse agosto de 2012, um mês de cachorro que ladra louco com focinho prestes a conquistar roma, lisboa ou outra capital.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
per aspera ad astra
não, eu não posso saber em que fim você cai, caiu ou eventualmente possa cair. até porque você se tornou um buraco que se abocanha, enchendo de si mesmo, regurgitando a si mesmo. e o que regurgita? poesia, lírios, dialética que-se-faz-de-clichê-mas-não-é de entendimento além da razão, dialética de sinestesia literária. française. pra libertar.
não, nós não conversamos sobre muitas coisas. é como se, feito crianças, ficássemos passando a batata quente. você, eu, você, eu, nós, eu, você, você, eu... o espaço em branco. o buraco poético.
eu queria te escrever coisas épicas, borrascas de um boêmio. contar causos de néon. será que um dia vou andar pelas ruas de londres, derramar conhaque em papéis, escrever sobre a escolástica, abstinência e amor? does the time deface us?
a cara da sara
com envelope do verso ao vice carimbado, recomendado e em nenhum momento reivindicado, o endereço já não era mais o mesmo mas trazia a única explicação para aquele diálogo descontinuado. com remetente anônimo e falso destinatário, o conteúdo, poderia jurar não ter vindo daquele lado talvez pela facilidade em se misturar às faturas e renovações de assinaturas mas não, era um pedaço de alma. aquilo era uma carta. devidamente aberta, a folha tinha vida própria, boca torta, neurolinguística, sentimento, cérebro, gestos e memória. eidética. e dizia:
olá, benzinho
como estão suas férias? foi à praia? fez caminhadas? escalou montanhas? quanto às minhas, não duraram sequer uma semana. onde estão todos aqueles postais? foram hospitalizados com pneumonia crônica? a lituânia nunca me agradou. mas já não quero mais beber cervejas sozinho, chegar em casa depois de árduo trabalho, sozinho, comer o que sobrou da ceia e fazer uma breve projeção daquilo que já não existe. não tem mais você com cabelos e corpo molhado, sem se despir porém, e dizendo acabei de sair do banho e o frio que fazia benzinho, bem... já não quero que tenhas assuntos parisienses, não sem antes ver a cara de sara. ok, acho que passou da hora de ser bonzinho e dizer, vai, corazón allures, achar teu balzac e me viver sem também.
como estão suas férias? foi à praia? fez caminhadas? escalou montanhas? quanto às minhas, não duraram sequer uma semana. onde estão todos aqueles postais? foram hospitalizados com pneumonia crônica? a lituânia nunca me agradou. mas já não quero mais beber cervejas sozinho, chegar em casa depois de árduo trabalho, sozinho, comer o que sobrou da ceia e fazer uma breve projeção daquilo que já não existe. não tem mais você com cabelos e corpo molhado, sem se despir porém, e dizendo acabei de sair do banho e o frio que fazia benzinho, bem... já não quero que tenhas assuntos parisienses, não sem antes ver a cara de sara. ok, acho que passou da hora de ser bonzinho e dizer, vai, corazón allures, achar teu balzac e me viver sem também.
domingo, 29 de julho de 2012
verbos noturnos
e essas mãos ossudas, qual a necessidade de se estranhar com as suas se a maior facilidade de entranhamento existe entre os próprios dedos? e a vontade absurda de estabelecer um contato tátil que não de voz mas de vento de falar um aceno e gesticular como vai, que tormento você vai cantar este não sou seus lábios nos meus lábios não são meus e eu vou ler mais uma página, até porque não saberia dar continuidade à cantoria não queira que eu adivinhe o que se passa mas eu não sinto mais suas palavras.
uma cama me engoliu
com lábios de colchão e cobertoruma cama me engoliu
a noite mastigou minhas validades,
destruiu meus planos
com dentes de despertador
sábado, 21 de julho de 2012
gravado em fita
uma mordidinha cretina na ponta do nariz e promessas de poema eterno. é tão bonito que é quase amor. mas a sobrancelha direita se eleva, acusando que de tudo sei. a sobrancelha acusa quem mente. você sabe sobre o veneno? eu digo sei. por isso estou aqui.
retratou-se em bilhete-espelho a visão privilegiada de gatos-de-caça, coelhos-da-mata - essas espécies selvagens e senvergonhas que agora invento - que é o ângulo visto de baixo-cima da saia do vestido. plano europeu ou americano, julgam tais fios de cabelo, quase não importa. o ruído que se ouviu - tal estrondo-arrebento foi mental - ...o ruído que se ouviu foi ruído de porta. e cabe-nos dizer, coração, a função da aorta em estourar aortérias, essa matéria que pouco sei já não me interessa, vi uma vez.
retratou-se em bilhete-espelho a visão privilegiada de gatos-de-caça, coelhos-da-mata - essas espécies selvagens e senvergonhas que agora invento - que é o ângulo visto de baixo-cima da saia do vestido. plano europeu ou americano, julgam tais fios de cabelo, quase não importa. o ruído que se ouviu - tal estrondo-arrebento foi mental - ...o ruído que se ouviu foi ruído de porta. e cabe-nos dizer, coração, a função da aorta em estourar aortérias, essa matéria que pouco sei já não me interessa, vi uma vez.
o bilhete que vi mais se tratava de uma sonata, é condizente para um bilhete sem remetente, entregue pessoalmente, entregue não, deixado no criado mudo, bronco mal criado. o bilhete que me vi lendo às nove de uma manhã sem indecifráveis hematomas e de ressaca moral nenhum sintoma. o bilhete que li era composto por um miegale, palavra lituana que recentemente aprendi - ainda rescende o cheiro: sopa gelada de beterraba. era composto por um miegale acentuado, acentuado não, era flechado, por assim dizer. aquele acento que não possuímos, estava por ali em um a ou um e eu mal vi tinha sono, não tinha? é costumeiro ter sono em tais ocasiões. e acordar-se espreguiçado, ah, ah. por isso miegale. se fosse real, seria sonho, deixo claro. é prosa ficcional
quinta-feira, 12 de julho de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
nina 1969, brussels 2008
acendi uma vela a santo antônio o das preces eloquentes dos desejos mais ardentes e falsos pretendentes para me salvar das rimas torpes dos falidos amores e da minha própria falência, aqui não tem inverno, tem a chama santa e o meu pouco a minha alma casta. as letras somem e eu só posso ficar sem entender, sem saber se leu, se delas se desfez, agora está acostumado, familiarizado, me tem por todo lado
sábado, 25 de fevereiro de 2012
o palco de guerra me fez armar
pois só o consentimento é capaz de dissolver enganos, dissimular quaisquer aproximações e fomentar planos que ultrapassam a linha imaginária das reais limitações do colchão. e se eu nelas me apoiava, joelho em ângulo reto, postura torta e posição incômoda de quem se inquieta, eu juro, com toda a verdade que ainda me resta, não esperava nada além daquela encenação. se fiquei por tanto tempo, foi por gratidão.
embaraçara
eu do sétimo, você do décimo sexto ouvíamos lá de baixo o rebuliço infantil um tanto quanto caricato para um final de tarde de feriado. um tanto quanto coincidente, os nomes dos pimpolhos que chamavam uns aos outros, para, mauro, você quem começou, e o mauro lá de baixo provavelmente retrucaria ávido, até que nesse ponto a sara sete andares acima se desopila com as ocupações da área de serviço. a mesa que escolhi para me servir de isolamento espiritual, abarrotada de fruteira e planta artificial, serviu para provar que nada deve ser levado a sério aqui dentro. serviu para me lembrar que nada resta senão uma troca de olhares constrangedora, que há dez anos poderia ser descrita como a separação, o abismo entre os amantes, dois polegares de distância. sem me dar direito de aspas, flutuei por semanas sobre as cinco linhas, que passei a lápis e paixão e tomou forma de poesia.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
sinais amarelos
não acenda a luz, para mim é mais fácil falar assim, sem que vejam a minha boca. você sabe que não resisto por muito tempo a um olhar, nem mesmo o seu; assim é melhor. dê-me um cigarro, mauricio: fume você também mas fique aqui; você tem que ouvir isto até o final. depois pode fazer o que quiser; há um revólver na minha escrivaninha e um telefone na sala. mas agora, fique. você passou todo aquele verão longe de nós; eu pensei muitas vezes em você, sempre que recordava os nossos anos de estudantes; o fim deles, esta vida de hoje, esta independência tanto tempo desejada e que se traduz num amargo sabor de solidão... sim, pensei em você mas pensava ainda mais no sonho; e nunca, entende, nunca em todas essas noites de insônia pude dar um só passo à frente... chegava com nitidez até o momento em que aquilo parecia flutuando e se ouvia novamente o chapinhar que parecia mãos de afogados querendo sair do rio... aí cessava tudo; tudo. se pelo menos tivesse lembrado que sabia! deve haver sonhos piedosos, amigo; sonhos que felizmente se esqueceram de acordar; mas aquilo era uma obsessão torturante, como um caranguejo vivo no estômago do peixe, vingando-se de dentro para fora... e eu não estava louca, mauricio, como não estou agora; pare de pensar isso porque se engana. acontece que aquele sonho me parecia real, diferente dos sonhos de sempre; havia profecia, anúncio... algo assim, mauricio; havia ameaça e prevenção... e horror, um horror branco, viscoso, um horror sagrado... lucien deve ter entendido isso muito bem já que nunca mais mencionou meu sonho e eu preferia me calar, porque naquele período em que você partiu nós dois estávamos à beira de uma separação definitiva. cansados mutuamente de inúteis concessões, de perpetuar afetos que nele já haviam morrido e que eu precisava matar por minha vez... você não suspeitava de uma coisa assim? ah, é que lucien não lhe contaria; nem tampouco eu. nosso mundo era outra coisa. nosso, sabe; impossível cedê-lo a outros nem que fosse só para explicar. e estávamos chegando ao fim desse mundo e era preciso abolir suas portas, continuar por caminhos divergentes.
não dizíamos nada, entende, porque não tínhamos mais nada a dizer-nos, mas toda vez que eu olhava para lucien tinha a impressão de que estava pálido, parecia preparar-se para definir uma situação imprecisa que atormentava. andávamos, andávamos, e não sei quanto tempo continuamos assim, entrando em áreas que eu não conhecia, longe desta casa, fora da zona habitada, na parte onde o rio começa a gemer e a flexionar a cintura como uma cobra se queimando.
não dizíamos nada, entende, porque não tínhamos mais nada a dizer-nos, mas toda vez que eu olhava para lucien tinha a impressão de que estava pálido, parecia preparar-se para definir uma situação imprecisa que atormentava. andávamos, andávamos, e não sei quanto tempo continuamos assim, entrando em áreas que eu não conhecia, longe desta casa, fora da zona habitada, na parte onde o rio começa a gemer e a flexionar a cintura como uma cobra se queimando.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
amsler grid
beautiful and kind person on the other side of the earth,
where can I find a safe place that holds in this world? how can I do to undo what has happened to me? do you know of anything? where is my better life? when. how.
where can I find a safe place that holds in this world? how can I do to undo what has happened to me? do you know of anything? where is my better life? when. how.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
sabia que você ia trazer seus instrumentos invadir minha cabeça onde um dia tocava uma orquestra la la la que feliz era essa minha época, agora decidi não te enviar mais e-mails pois assim tão somente e sim, te deixo num espaço em branco para deduzir que fim tive eu mesmo sendo este apenas o começo de um livro de fins. e no tal espaço, você fica a pensar se caí por inteiro, ou não, apenas me curvei e tomei juízo. prometi que não responderia, nem a mim, nem a ninguém. mas escrever isso também me enche de peso.
domingo, 15 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
samba de um idioma só
mesmo tão longe e poliglota, não me deixo enganar. é certo que te vi pipocando no meio de todos. com a aflição de um passista estrangeiro e a desenvoltura que só alguém do meio é capaz
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
dia substantivo
dia lactomaternitante, seis copos de leite. dia do golfe. até antes da visita ao campo golfante. dia de dois filhos pequenos e dia de dois grandes artistas. fred e alair. grandes. e um porco cofrinho maior ainda. fred e alair. especiais por demais. a começar pelo sobrenome que remete a comida. quarto copo de leite do dia. são atuantes da ecologia. um favor à natureza recebeu o nome de sonho retorcido. era tudo que eu queria saber para fazer deste o mais preenchido da minha vida.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
recomeço
"não há melhor meio para se familiarizar com a morte do que associá-la a uma ideia libertina"
Assinar:
Postagens (Atom)
