e-mail. meio virtual devastoso que expões indivíduos a situações degradantes de comunicação cortante onde a escrita é cortada ao meio, onde a comunicação não é completada, quando um não quer dois não parla. e o silêncio súbito de não ser co-respondido, de não ter nada mais para ser lido a não ser reler seu próprio redito
3 comentários:
A comunicação só é cortada para quem crê que a palavra serve a isso, comunicar. A palavra ilude, elide, escamoteia aquilo para o qual ela não foi feita. E o sentido, a coerência, a coesão, e todas essas pequenas mesquinhezas com que tratamos as palavras, supondo-as pequenos mensageiros de nossos próprios interesses, são pouco mais que auto-engano ao emissor, mal-entendido ao receptor. Elas, as palavras, dão as cartas-lettres; palavra-rainha, tirania do significante. E nos quedamos aqui como efeito, puro resto daquilo que nos tomou para sua existência.
"Se acentuássemos a importância das cartas, nos tornávamos suspeitos por supervalorizar algo evidentemente desimportante, por nos autoelogiarmos como portadores dessas notícias dirigidas a você, seguindo nossos desígnios e não os seus; era até mesmo possível que desvalorizássemos, dessa forma, as próprias notícias aos seus olhos e o enganássemos muito contra a vontade. Mas se não atribuíssemos muito valor às cartas, nos tornávamos igualmente supseitos, pois a troco de quê nos ocupávamos depois com passagens dessas cartas sem importância, porque contradizíamos recirpocamente nossas ações e nossas palavras, porque enganávamos assim não só a você, o destinatário, mas também o mandante, que certamente não nos havia dado as cartas para que as depreciássemos com as nossas explicações junto ao destinatário. Conservar o meio-termo entre os exageros, ou seja, julgar corretamente as cartas é impossível; elas mudam continuamente de valor, as reflexões a que dão ensejo são infindáveis e o ponto em que se deve parar é apenas definido pelo acaso, ou seja, a opinião também é casual. E se além disso o medo por você intervém, tudo se confunde; você não deve julgar com muita severidade minhas palavras." (O Castelo – Franz Kafka)
"se morresse alguém toda vez que aperto F5 não sobraria ninguém vivo no mundo."
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