sexta-feira, 8 de abril de 2011

o que eu encontrei: uma carta suicida de amor

hoje não o quero, puto dos infernos. poderia eu declarar algo deveras sincero? estou um pouco consciente, um pouco bêbada, mas vamos, suma, desapareça. prezo por um pouco de intelectualismo, prezo pela paz de espírito, pelo positivismo pelo ufanismo estoicisimo prezo pelo fim da fronteira aduaneira e no fundo eu não prezo por nada disso eu só peço vá, vá-te embora, adormeça. a ambição pode levar o homem à lua, aos planetas, e às mais distantes estrelas, mas a memória daquele extraordinário continente ainda permanece.

é tão querido o seu escrever, é um ninho macio, pombas!, é um casto querer mas meu frágil poder é o de te morrer, docinho, torrão de açúcar mascavo. está tão inocente estridente, bardo alegando sentir, por amor, tamanho cansaço. julgo suas palavras, ou não palavras, mas os buracos que as separam pombo pequenas valas e tento fazer das minhas palavras nunca separadas. se arrependerá tanto, querido, daquele momento em que me deixou esperando. foi tão pouco mas será tão tanto. momento aquele em que fiquei ao lado do banco, não quis me sentar, pensei que não seria para tanto, pensei que não sereria.

dez dias é muito dia coração é muita agonia ai ai
ontem foi lua cheia e da vidraça eu via o seu
reflexo e sei que aí do outro lado da vida você
me sorria da mais pura zombaria eu te chamei
três vezes e a teoria de alfred kroeber caiu por terra
e você me derrubou na non-guerra eu estou perdida
não tenho nada. 10 dias é muita coisa. apaga-se tudo
e faz-se outra vez de tudo um nada olho no relógio 11h12
"tá acabando, não?" - ai ai ai, me diz que eu não valho
nada. só preciso que me diga um algo. que me faça ser dita.

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