sexta-feira, 23 de setembro de 2011

eu nunca sonhei ser jornalista. tanto nunca que, sempre que posso encontro brechas para me afastar, olho de canto de olho, profiro um amargurado leave me alone e tento fingir que nada se passou. e que do sexto semestre da faculdade de jornalismo eu não quero passar.

ainda nos primeiros semestres de faculdade, quando engatinhava na comunicação social, eu era apaixonada crônica por tudo aquilo que o tronco comum me apresentava. o tronco, que consiste em três semestres, passou como uma micareta interdisciplinar que me rendeu um acervo de livros difíceis de classificar. é abominável julgar um livro pela cara, mas aceitável julgar o dono pelo livro que ele carrega. e se tratando dos meus, sou rizomática. os livros de psicanálise caem perfeitamente bem com os de literatura argentina e filosofia religiosa.

por que escolhi o jornalismo como profissão? além da interdisciplinariedade, o rizoma editorial, o meu interesse em querer saber sobre tudo – e consequentemente fazer com que todos sobre tudo saibam – tenho como ponto de partida [não necessariamente em ordem cronológica ou hierárquica] o prazer pela escrita. o capricho chega a seguir quase ordens estéticas. colocar em palavras a informação, torná-la atraente, e fazer do conteúdo mais complexo o mais acessível, sem com isso ter seu valor dissipado, é um dom. seria petulância dizer que beira à arte?

que adjetivo atribuir à uma profissão que permeia obrigação e lazer, massificação ornamentada? e a ambição do quinto poder pode ser afimada. o jornalismo deflagração diariamente se manifesta através de questionamentos e diálogo arbitrário, ferramenta social: ponte entre sociedade e a outra parte. e isso é uma responsabilidade e tanto.

Um comentário:

Titusz disse...

o meu caso, senhorita Clara, é um pouco diferente e pode ser muito bem resumido da seguinte forma:

"Em conseqüência, não tinha uma liberdade verdadeira para escolher profissão; eu sabia que, tratando-se do principal, tudo me seria tão indiferente como as matérias do Ginásio; era necessário, pois, encontrar uma profissão que, sem ferir demais a minha vaidade, preservasse da melhor maneira possível minha indiferença. Portanto, o direito era o natural. Algumas pequenas tentativas opostas da vaidade, da esperança insensata, como, por exemplo, um estudo quinzenal de química e um estudo semestral de alemão, apenas reforçaram aquela primeira convicção. Em conseqüência, estudei direito. Isso significava que nos meses antes dos exames, e com ampla participação dos nervos, alimentava-me de serragem, que, por outro lado, tinham remastigado já mil bocas. Mas isso, em certo sentido, me apetecia, como antes, também em certo sentido, o Ginásio e mais tarde o cargo burocrático, pois isso correspondia inteiramente à minha situação. De qualquer maneira, demonstrava a esse respeito uma previsão assombrosa; desde pequeno tinha pressentimentos bastante claros no que se referia a estudo e profissão. Não esperava salvar-me por esse caminho; há tempos eu renunciaria consegui-lo por meio de tais recursos." (Franz Kafka - Carta ao Pai)

Desculpe-me, antes de tudo. Falar de mim neste espaço (o seu) é algo totalmente desnecessário, mas é que gosto tanto do seu blog que sinto uma enorme vontade de poder contribuir com comentários e de tb poder demonstrar o quanto eu admiro o que vc faz aqui, mas quase nunca, ou melhor, nunca me encontro com a inteligência necessária para poder dizer alguma coisa à altura do que vc publica.

com tantas citações e falta de criação, sinto-me um verdadeiro phraseur, o diametralmente oposto do que vc é.