sábado, 25 de fevereiro de 2012

embaraçara

eu do sétimo, você do décimo sexto ouvíamos lá de baixo o rebuliço infantil um tanto quanto caricato para um final de tarde de feriado. um tanto quanto coincidente, os nomes dos pimpolhos que chamavam uns aos outros, para, mauro, você quem começou, e o mauro lá de baixo provavelmente retrucaria ávido, até que nesse ponto a sara sete andares acima se desopila com as ocupações da área de serviço. a mesa que escolhi para me servir de isolamento espiritual, abarrotada de fruteira e planta artificial, serviu para provar que nada deve ser levado a sério aqui dentro. serviu para me lembrar que nada resta senão uma troca de olhares constrangedora, que há dez anos poderia ser descrita como a separação, o abismo entre os amantes, dois polegares de distância. sem me dar direito de aspas, flutuei por semanas sobre as cinco linhas, que passei a lápis e paixão e tomou forma de poesia.

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